terça-feira, 9 de abril de 2013

AMORREVÉS (com Âma Campos)


AMORREVÉS
                               (Âma Campos- Bruno Kohl)


Brilha como não luz
           Age como não faz
        Sonha como não quer
        Brinca de não capaz

É o amor         É talvez.
é revés            dor em nós,
outra vez...

        Sono de acordar
Corda pra não subir
Grade pra se livrar
Fome de consumir
       
Cada segundo da vida é uma gota que o tempo pediu pra ser mar

Canta como não jazz
Perde como jamais
Há de não se conter
Sempre que for demais
               

É o amor         É talvez.
é revés            dor em nós,
outra vez...


Chuva que vai secar
Rio que tentou subir
Ilha que vai mover
Céu que tentou fugir
       

“Acho que, às vezes, é até com ajuda do ódio que se tem a uma pessoa que o amor tido a outra aumenta mais forte. Coração cresce de todo lado. Coração vige feito riacho colominhando por entre serras e varjas, matas e campinas. Coração mistura amores. Tudo cabe.”*

Banho sem se molhar
Molhe pra destruir
Astro a desalinhar
Rastro pra não seguir
Verso pra não rimar
Letra pra não vestir
O que a poesia quer despir
Que cada chão
Posto ao meus pés
possa crescer um “amorrevés”

*Guimarães Rosa

terça-feira, 26 de março de 2013

Da Espera (com Calinho Luminoso)

DA ESPERA
                    (Bruno Kohl- Calinho Luminoso)


Saiba
da canção de adeus que a chuva faz lá fora
do verão que no inverno me demora
e devora ao fim de cada pôr-do-sol.

Saiba
da espera que de horas me molduram
dos lampejos de certeza que não duram
o mover que o vento traz ao girassol.

Saiba
que escondi você em todos meus poemas
Na memória só restaram poucas cenas
inventadas para ter do que lembrar.

Saiba
que criei palavras,sons e melodias
para que você caiba em todos os meus dias
e assim meu universo lhe esperar.


sábado, 16 de março de 2013

ALVO ( Com Carlos Bauer)





Alvo
(Carlos Bauer -Bruno Kohl)

Agrada e agride
como fosse
Sagrado pecado
Agridoce

presente em posse
ocupa o espaço em mim

E eu que achava
estar salvo
das tranças,dos laços
ombros alvos

dos verdes olhos
que saltam
em sorriso 
a brilhar
querubim

Veja quanta luz , céu
Veja quanto céu, sol
Veja quanto sol

Suave esboço
alvorada 
alvoroço
alvo
coração


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Olhos que nunca foram meus (com Carlos Cesar)



Olhos que nunca foram meus
(Bruno Kohl -Carlos Cesar)

Se até agora em meu caminho
Atalhos só serviram pra não te encontrar
vou atrás do mesmo destino
Tudo estava ao meu redor e não quis enxergar

Tentei esconder minha dor 
atrás de uma sensação de adeus
E quis guardar em mim seus olhos
Olhos que nunca foram meus

Nunca foram meus

Se até agora nos meus sonhos
Você não fez questão de comparecer
E não, nem quis entrar no meu jogo
Resta apenas acordar e parar de sofrer

Eu me entreguei a perguntas
que seu olhar não respondeu
E quis guardar em mim seus olhos
Olhos que nunca foram meus

Nunca foram meus

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Cristalina (com François Muleka)


Cristalina
    (Bruno Kohl / François Muleka)

Do veio

me veio um longo fio d’agua

é teia de seda molhada

que abrasa amores e lendas

Anseio

sem freio e a madrugada

me vem como gota de lava

e descansa nas linguas e fendas

Ontem saiu

A serpente cristalina

tem os olhos de fera e a menina

deslizava

E meu olho de montanha

com a nascente do amor nas entranhas

me chorava

A serpente cristalina em sua chegança de fera e menina

deslizava

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Eterno Abraço (com Alexandre Lemos)


Eterno Abraço
(Bruno Kohl/ Alexandre Lemos)

"Diz" que o mar
recebe o rio com medo
tal qual a um segredo
que não deve se escutar

E "diz" que o rio
entra no mar chorando
por estar se entregando
a um "nunca mais voltar"

não tem como parar
não tem como fugir
é desaparecer
pra logo ressurgir

e a chuva que cai como luva
abençoando a colisão
quem chove junto
é meu coração

e assim o encontro
se dá no embaraço
de um eterno abraço
na foz dessa cidade

e o rio e o mar
que tem mesmos trilhos
descobrem que são filhos
da mesma tempestade

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A Cor do Céu (com Carlos Cesar)


A Cor do Céu
(Música: Carlos Cesar/ Letra: Bruno Kohl)

Eu vi você descer a rua e na esquina o desespero
despejando um  olhar entre alegria e afeição
Quase sempre a tristeza nos abate ao que perdemos
e assim um muro é construido com a destreza de um artesão

Unindo os retalhos solitários da certeza
que a beleza é o degrau mais alto da percepção

Ninguem possui a chave do teu coração

-Olha só como pôr-do-sol escolheu um tom vermelho sangue!
Meu amor, será assim a cor do céu?

Eu vi você subir a rua e na espreita o infinito
Desenhando um olhar entre euforia e perfeição
As vezes a razão passa a ser em nós um vício
e o caos aparece como um deus do tempo e  estende a mão

Se a chuva julga quando cai na terra dos teus sonhos
permita que a tempestade venha e tire dessa solidão

Ninguem possui a chave do teu coração

-Olha só como a aurora escolheu um tom de amarelo ouro!
Meu amor, será assim a cor do céu?

Ninguem possui a chave do teu coração

-Olha só  como a noite acolheu o breu dos seus olhos negros!
Meu amor, será assim a cor do céu?