terça-feira, 25 de junho de 2013
PERSONA ( com Sonekka)
PERSONA
(Bruno Kohl/ Sonneka)
Minha vida é um filme
só de fatos irreais
nunca mais quero me ver de braços dados
com a não-ficção.
Minha vida é um livro
com inúmeros finais
nunca mais quero escrito o meu futuro
pelas minhas proprias mãos.
Na comédia do universo
quem será o grande ator?
Quem fará roteiro inverso
do nunca que imaginou?
Será ele figurante
sua própria criação?
A jornada do heroí
só dói
para quem um dia foi vilão.
Minha vida é a trilha
de incontáveis musicais
nunca mais quero ouvir os meus acordes
no que chamam de canção
Minha vida é um palco
de mil dramas virtuais
nunca mais quero me ver
em versos presos e você
numa unica versão.
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Versos de Areia (Com Volnei Varaschin)
Versos de Areia
(Volnei Varaschin/Bruno Kohl )
Fecho as portas
saídas não encontram minhas pernas
as chaves são eternas letras tortas
como se estivesse preso pela pressa
de meus erros,sob o aterro
sob a terra
Fecho os olhos
e a luz que chega cedo incendeia
o milenar esboço toda a areia
choro como se eu perdesse o passo
um cego passatempo
meu espaço
e se um dia for me procurar
e chegar até a mim
saiba que talvez eu possa não estar
não me reconheço tanto assim
E ali vou afundar afogando eu me disperso
É ali todo meu centro,mar adentro me despeço
é ali todo o mundo movediço do meu ego
sob a areia do meu tempo
sob o tempo do meu verso
terça-feira, 28 de maio de 2013
As Vezes o Amor (com Matheus Von Krueger e Luis Kiari)
é coisa algo que inunda
Afunda o olhar
seca na chuva
é fundo no que possa
revelar
As vezes o amor
é o que flutua
Um leve estar
a carne nua
é deixa pro que possa escapar
As vezes o amor
é um tanto de falta
Um eterno momento é
sobra de tempo
As vezes o amor é
cem vezes o amor só
As vezes o amor é só
As vezes o amor
é algo que doa
é de escolher
é sem escolha
é livre pro que possa aceitar
As vezes o amor
é pé de calçada
a flor no asfalto
a caminhada
é tempo que se possa
realizar
Se é amor amor
amor amor é
e seja o que for
cem vezes o amor é
mil vezes o amor só
as vezes o amor é, só.
Mil vezes o amor e só...
Mil vezes o amor e só...
UM TUM (com Luis Kiari)
UM TUM
(Luis Kiari-Bruno Kohl)
O peito que já é nunca
deixa de ser
Feito comboio ele pulsa
um Tum
E espera outro Tum outro
peito a lhe entender
Pra não ser mais tão
só, e sim, Tum Tum
Ali os olhos dançam e
despidos
Vivem na cumplicidade
E a todo o ritmo se dar
Não existe descontrole
ou descarrilo
Toda forma de verdade
Será céu a rabiscar
Enrolam enfim as
pernas, braços e veias,
Para assim formar as
teias
Impossíveis de partir
E mesmo a vida sendo
assim tão rara
É o coração que para
Para o amor coexistir
terça-feira, 21 de maio de 2013
MOEDA (com Marcoliva )
Moeda
(Marcoliva/Bruno Kohl )
A minha fala tá muda
A minha muda na mala
A moda mata e transmuta
Transmite fama e descarta
Não tenho carta nem time
Se o filme queima na lata
desata o nó e desiste
Essa moeda tá gasta!
O gosto não se define
o fim é auge da festa
o que nos resta é crime
Bala no meio da testa
O santo tá meio surdo
o absurdo na estante
Estamos vivos mais tempo
torcendo pra morrer antes
Estamos vivos
mais tempo
torcendo
pra morrer antes
A nata foge do leite
O dente foge da fada
do nada sou imprudente
se dou a mão escondo o tapa
O que escapa é resumo
do suprassumo do certo
ainda não me acostumo
com que consumo e desprezo
Eu rezo depois do sono
Eu como antes da fome
Meu nome hoje é o dono
da grana que me consome
quando compramos formiga
a preço de elefante
Estamos vivos mais tempo
torcendo pra morrer antes
Estamos vivos mais tempo
torcendo pra morrer antes
sábado, 4 de maio de 2013
A Ida e a Volta (com Âma Campos)
A Ida e a Volta
(Bruno Kohl- Âma Campos)
Eu sei que arriscar é traiçoeiro,
Se fingimos ser capazes de enfrentar
O tal passado que de pé e copos erguidos
Brinda a nós e nossos erros, bem na hora do jantar.
Foi desse jeito que o acaso me lembrou
de um sonho e voce fingiu que me escutou
e de um espelho
em algum lugar do quarto
onde escondemos nosso chão
não me incomoda o partir e voltar
se a minha alma estar disposta a te esperar
querer viver com toda força pelos tempos
em infinita redenção
mil vezes quis
que o vento fosse te buscar
Quem sabe o adeus
é um eterno nó a desatar?
E se o amor vier de um anjo distraído
e nos convide de novo para dançar
a cada passo ,a cada queda vou sorrindo
e embalando com as canções que inventei pra te ninar
Foi desse jeito que o acaso me lembrou
de um sonho e voce fingiu que me escutou
e de um espelho
em algum lugar do quarto
onde escondemos nosso chão
não me incomoda o partir e voltar
se a minha alma estar disposta a te esperar
querer viver com toda força pelos tempos
em infinita redenção
mil vezes quis
que o vento fosse te buscar
Quem sabe o adeus
é um eterno nó a desatar?
terça-feira, 9 de abril de 2013
AMORREVÉS (com Âma Campos)
AMORREVÉS
Age como não faz
Sonha como não quer
Brinca de não capaz
É
o amor É talvez.
é
revés dor em nós,
outra
vez...
Sono de acordar
Corda pra não subir
Grade
pra se livrar
Fome
de consumir
Cada segundo da
vida é uma gota que o tempo pediu pra ser mar
Canta
como não jazz
Perde
como jamais
Há
de não se conter
Sempre
que for demais
É
o amor É talvez.
é
revés dor em nós,
outra
vez...
Chuva
que vai secar
Rio
que tentou subir
Ilha
que vai mover
Céu
que tentou fugir
“Acho que, às vezes, é até com ajuda do ódio que se tem a
uma pessoa que o amor tido a outra aumenta mais forte. Coração cresce de todo
lado. Coração vige feito riacho colominhando por entre serras e varjas, matas e
campinas. Coração mistura amores. Tudo cabe.”*
Banho sem se molhar
Molhe
pra destruir
Astro a desalinhar
Rastro pra não seguir
Verso pra não rimar
Letra pra não vestir
O que a poesia quer
despir
Que cada chão
Posto ao meus pés
possa crescer um
“amorrevés”
*Guimarães Rosa
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