terça-feira, 21 de maio de 2013

MOEDA (com Marcoliva )


Moeda
(Marcoliva/Bruno Kohl )

A minha fala tá muda
A minha muda na mala
A moda mata e transmuta
Transmite fama e descarta
Não tenho carta nem time
Se o filme queima na lata
desata o nó e desiste
Essa moeda tá gasta!
O gosto não se define
o fim é auge da festa
o que nos resta é crime
Bala no meio da testa
O santo tá meio surdo
o absurdo na estante
Estamos vivos mais tempo
torcendo pra morrer antes

Estamos vivos
mais tempo
torcendo
pra morrer antes

         A nata foge do leite
O dente foge da fada
do nada sou imprudente
se dou a mão escondo o tapa
O que escapa é resumo
do suprassumo do certo
ainda não me acostumo
com que consumo e desprezo
Eu rezo depois do sono
Eu como antes da fome
Meu nome hoje é o dono
da grana que me consome
quando compramos formiga
a preço de elefante
Estamos vivos mais tempo
torcendo pra morrer antes

Estamos vivos mais tempo
torcendo pra morrer antes

sábado, 4 de maio de 2013

A Ida e a Volta (com Âma Campos)


A Ida e a Volta
(Bruno Kohl- Âma Campos)


Eu sei que arriscar é traiçoeiro,
Se fingimos ser capazes de enfrentar
O tal passado que de pé e copos erguidos
Brinda a nós e nossos erros, bem na hora do jantar.

Foi desse jeito que o acaso me lembrou
de um sonho e voce fingiu que me escutou
e de um espelho
em algum lugar do quarto
onde escondemos nosso chão

não me incomoda o partir e voltar
se a minha alma estar disposta a te esperar
querer viver com toda força pelos tempos
em infinita redenção

mil vezes quis
que o vento fosse te buscar
Quem sabe o adeus
é um eterno nó a desatar?

E se o amor vier de um anjo distraído
e nos convide de novo para dançar
a cada passo ,a cada queda vou sorrindo
e embalando com as canções que inventei pra te ninar

Foi desse jeito que o acaso me lembrou
de um sonho e voce fingiu que me escutou
e de um espelho
em algum lugar do quarto
onde escondemos nosso chão

não me incomoda o partir e voltar
se a minha alma estar disposta a te esperar
querer viver com toda força pelos tempos
em infinita redenção

mil vezes quis
que o vento fosse te buscar
Quem sabe o adeus
é um eterno nó a desatar?

terça-feira, 9 de abril de 2013

AMORREVÉS (com Âma Campos)


AMORREVÉS
                               (Âma Campos- Bruno Kohl)


Brilha como não luz
           Age como não faz
        Sonha como não quer
        Brinca de não capaz

É o amor         É talvez.
é revés            dor em nós,
outra vez...

        Sono de acordar
Corda pra não subir
Grade pra se livrar
Fome de consumir
       
Cada segundo da vida é uma gota que o tempo pediu pra ser mar

Canta como não jazz
Perde como jamais
Há de não se conter
Sempre que for demais
               

É o amor         É talvez.
é revés            dor em nós,
outra vez...


Chuva que vai secar
Rio que tentou subir
Ilha que vai mover
Céu que tentou fugir
       

“Acho que, às vezes, é até com ajuda do ódio que se tem a uma pessoa que o amor tido a outra aumenta mais forte. Coração cresce de todo lado. Coração vige feito riacho colominhando por entre serras e varjas, matas e campinas. Coração mistura amores. Tudo cabe.”*

Banho sem se molhar
Molhe pra destruir
Astro a desalinhar
Rastro pra não seguir
Verso pra não rimar
Letra pra não vestir
O que a poesia quer despir
Que cada chão
Posto ao meus pés
possa crescer um “amorrevés”

*Guimarães Rosa

terça-feira, 26 de março de 2013

Da Espera (com Calinho Luminoso)

DA ESPERA
                    (Bruno Kohl- Calinho Luminoso)


Saiba
da canção de adeus que a chuva faz lá fora
do verão que no inverno me demora
e devora ao fim de cada pôr-do-sol.

Saiba
da espera que de horas me molduram
dos lampejos de certeza que não duram
o mover que o vento traz ao girassol.

Saiba
que escondi você em todos meus poemas
Na memória só restaram poucas cenas
inventadas para ter do que lembrar.

Saiba
que criei palavras,sons e melodias
para que você caiba em todos os meus dias
e assim meu universo lhe esperar.


sábado, 16 de março de 2013

ALVO ( Com Carlos Bauer)





Alvo
(Carlos Bauer -Bruno Kohl)

Agrada e agride
como fosse
Sagrado pecado
Agridoce

presente em posse
ocupa o espaço em mim

E eu que achava
estar salvo
das tranças,dos laços
ombros alvos

dos verdes olhos
que saltam
em sorriso 
a brilhar
querubim

Veja quanta luz , céu
Veja quanto céu, sol
Veja quanto sol

Suave esboço
alvorada 
alvoroço
alvo
coração


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Olhos que nunca foram meus (com Carlos Cesar)



Olhos que nunca foram meus
(Bruno Kohl -Carlos Cesar)

Se até agora em meu caminho
Atalhos só serviram pra não te encontrar
vou atrás do mesmo destino
Tudo estava ao meu redor e não quis enxergar

Tentei esconder minha dor 
atrás de uma sensação de adeus
E quis guardar em mim seus olhos
Olhos que nunca foram meus

Nunca foram meus

Se até agora nos meus sonhos
Você não fez questão de comparecer
E não, nem quis entrar no meu jogo
Resta apenas acordar e parar de sofrer

Eu me entreguei a perguntas
que seu olhar não respondeu
E quis guardar em mim seus olhos
Olhos que nunca foram meus

Nunca foram meus

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Cristalina (com François Muleka)


Cristalina
    (Bruno Kohl / François Muleka)

Do veio

me veio um longo fio d’agua

é teia de seda molhada

que abrasa amores e lendas

Anseio

sem freio e a madrugada

me vem como gota de lava

e descansa nas linguas e fendas

Ontem saiu

A serpente cristalina

tem os olhos de fera e a menina

deslizava

E meu olho de montanha

com a nascente do amor nas entranhas

me chorava

A serpente cristalina em sua chegança de fera e menina

deslizava