domingo, 27 de julho de 2014

Conta-gotas (Daniel Conti/Bruno Kohl)



Conta-gotas
       (Daniel Conti/Bruno Kohl)

Se for capaz
me traz
uma chance em dez que eu consigo

Te fazer feliz
de vez
ao menos sermos amigos

Cá entre nós
em off
é mais do que eu necessito

se for demais
me diz
que faço de tudo improviso

antes eu quis
o caos
do ter e ser desmedido

e fui atrás
de nós
do céu um anjo caído

e ao invés
do sol
herdei o breu dos esquecidos

agora através
de ti
a conta-gotas o infinito

preciso entender
que no amor
menos é mais

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Sequer Secar ( Josinho/ Bruno Kohl)




Sequer Secar
     (Bruno Kohl)

dias pra ignorar
poema pra nunca rimar
serei mal estar,agonia
meio-dia sem sol, solidão

Se sou estorvo ,eu sumo
na curva do tempo, sem rumo
invento um anti-herói, um vilão
você nunca fará questão

de conhecer
de olhar
não vai chover
não vai molhar
vai ser melhor
não vou querer
sequer secar

anos para me esquecer
os danos, aquele verão
um desagravo , um grave engano
tudo pra ter ou não ter a razão

peso morto no ar, num balão
canção pra não confortar
a certeza com dois pés atrás
passado para ser incapaz

de conhecer
de olhar
não vai chover
não vai molhar
vai ser melhor
não vou querer
sequer secar

sábado, 3 de maio de 2014

Esse Seu Mundo (Guanaes Sepúlveda/Bruno Kohl)



Esse Seu Mundo
(Guanaes Sepúlveda/Bruno Kohl)

Esse seu mundo
é passo sem aprumo
furacão que nasce e logo perde o rumo
É a loucura
dessa santa ironia
na ventania eu corri de pé no chão
Um coração
suave , oco e corrosivo
alí perdido entre o amor e o amoral
Um ritual
de conquistar o mundo afora
chamar-te agora e te esquecer nalgum quintal

Deixo-me levar por esse mundo
prestes a ruir todo passado
vou me consumir em um segundo
a nenhum destino estou fadado

Deixo-me levar por esse mundo
pronto para desacontecer
e que o desejo de estar junto
é muito maior do que viver

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Brisa Flor ( Com Cauê Procópio)

Brisa flor
(Cauê Procópio-Bruno Kohl)


Brisa flor me abraçou de manhã

parece que o vento me quis

o mar me avisa o viés

Disfarça o que me faz feliz

Vi carapuça ali servir

retalhos, atalhos, anzóis

A falta faz chover cassis

Estrelas brincam de ser sóis, eu sei

   
É o milagre
das mil lágrimas
de amor

Bem já sei que me queres melhor
mas dou o que eu posso querer
o sonho ,vínculo,o ardor
um alvo no alvorecer

se estive em ti lembrarei
acordes acordos e dós
na sombra onde mora a lei
É Deus quem vai brindar por nós, eu sei

é o milagre
das mil lágrimas
de amor

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Ciranda de Couro (Com Felipe Pauluk)


Ciranda de couro
                              ( Bruno Kohl- Felipe Pauluk)

Castas, meninos alados
corriam dourados 
em meio ao sertão

brochura no canto da terra
desfez a quimera 
do meu coração

cartas cifradas
em belos pares de estrelas
caiadas no chão

som de flores e guerras
marcaram os céus de novo clarão

mandinga de toda maneira
minha eira e suas beiras

A menina que roda em fogueira
A menina que roda em fogueira
A menina que roda em fogueira
É furacão

guias valentes
no sol do oriente, 
nasce o verso e a canção

brinca de roda, 
a menina aquarela 
pula o fogo no chão

simples afago
entre os astros
que falam com os olhos e comem com as mãos

sono eterno
do rosto sincero
rega o tempo em vão.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Do outro lado do atol ( com Vê Domingos)


Do outro lado do atol
                            (Vê Domingos/Bruno Kohl)

Sei que ali tem peixe no mar
sei que meu sonho é ser pescador
Sei que ali tem remo na mão
O Pedro,o Zé,o Maneca e o João

nas rugas talhadas, no sol a sol
as braças de rede correm na  mão
espinhel e isca
bóia e anzol
Mar dividido em vida no barco e vida no chão

 faça chuva ou faça sol
 pesca viva
 do outro lado do atol
Vai demorando além do normal
maria murmura outra oração
e quando a canoa
aponta no canal
angustia que tinha se vai

e a reza já vira canção...




sábado, 28 de setembro de 2013

Cinzas e Pérolas (Com Alexandre Lemos)



Cinzas e Pérolas
(Alexandre Lemos/Bruno Kohl)

Entendo aos poucos
no tempo que era
quem parte na pressa
quem quer respirar

o som dos mil dias
A tarde de inverno
calou na certeza
que amanhã não virá

Pra contar os sonhos
em lágrimas, rios
recolher numa quarta
cinzas sem carnaval

esquecer os castelos
no mar os delirios
universo dos filhos
em vazio abissal

dorme em mim
toda dor e perdão
areia que cobre meu mar
de dentro da concha
o mar diz que não